quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O guia.

- Bom dia, querido... pode me informar onde fica a Rua da Felicidade?
- Xiii... você não é aquela que perdeu a bússola?
- Exatamente! Disseram-me que você tem um bom senso de direção...
- Não sei não, já ouviu falar na estrada do Perdão?
- Ouvi, passei nela algumas vezes...
- Pois é, dona... terá que ir nela na contra-mão. Não é fácil.
- Me ajuda?
- Me segue!
...
- Pôxa, que loucura isso aqui, quantas vezes mais terei que me jogar desses penhascos? Tentar passar nesses obstáculos? Já me bati, pulei, chorei e não consigo chegar nem na Avenida da Paz, quanto mais na Rua da Felicidade.
- Eu disse que não seria fácil, dona...
- Mas não avisou que poderia ser impossível, né?
- É que às vezes o governo não tem estrutura para construir nova ponte para a Rua da Felicidade. Aí tem que esperar um empréstimo de outro país, o Tempo. Às vezes vem rápido, às vem nunca.
- E o que eu faço?
- Bom, existem outros caminhos para tantas ruas e avenidas... vai que em um desses você não encontra um atalho para a Felicidade? Lembre que você tentou esse daqui, mas também não pode chegar lá cansada a ponto de nada mais restar de ti né? Não se perca por aí...
- Bom, espero que o Tempo contribua com as pontes. Tentei. Mas obrigada, viu? Como eu te chamo?
- Coração. Pode me chamar de Coração.

E assim, peguei minhas malas e procurei um caminho mais leve. Saí olhando para trás, ferida... "que pena, eu tinha tanto pra levar pra o lado de lá..."

Roupa nova...

Curtiram?
Kaúla Cordier produções! ;)
Demorou mas posso dizer one more time:
Ano Novo, Roupa Nova!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Postagem de n° 100 - 100 forças.

Acordei com cheiro de pólen e um monte de flores em minha cara... Morri? Ainda não... Era o pai, ficou preocupado e veio tentar me animar. Arrancando-me a coberta, travesseiro e dizendo que o chuveiro me espera e a vida continua. A vida continua...
Eu tento rezar, mas esqueço a oração.
Ontem eu estava tão fraca e tão forte para querer ir embora.
Dizem que todos merecem o perdão... Ah! Lembrei: "Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Como é mesmo o resto...? tsc.
Rezam por mim?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

E mais febre!

.
Sempre intensa
Se é pra queimar
Que venha os quarenta
.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Mais um dia no hospital.

Espero que não vire rotina.
Mas até que gostei quando o enfermeiro falou que tenho veias bailarinas. Achei tão poético.
Ele me explicou que chama de 'veia-bailarina' aquela que foge da agulha, tal como uma dança.
Bonitinho né?
Pois é, continuo "dengosa"... um nojo de tão dengosa! hunf!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O fogo que hoje me consome... corrói.

A febre que hoje me queima não é a mesma que me agrada na minha normalidade.
Eu gosto de febre, quando essa me esquenta as entranhas, borbulha meu sangue e me parte a linha do juízo.
Essa sim provoca libido, arrancando-me as roupas, vezes até a pele. (E não ouse duvidar!)
Essa que desce que nem cachaça na garganta de quem prova, desce queimando e entorpecendo os sentidos.

Mas a febre que hoje me toma (...)
Essa é de dar desânimo até de falar.
Me deixa murcha, frouxa, chorona...
Os nervos aproveitam e fazem festa no ápice da minha pele, e antecipam assim o meu carnaval.
Essa febre que não quer passar, que como a outra, também me leva pra cama.
Mas que pobre coitada infeliz... vai morrer ou vai matar, mas nunca vai saber o gosto do que é amar.


A propósito, o motivo da febre é a tal dengue, nem queiram saber "que delícia" que é tê-la hospedada no seu querido corpitcho. E de medrosa que sou, peço que emanem positive vibrations para mim. Obrigada.
Isso me lembrou um trecho de uma música do Renato Russo, que diz assim:
.
"E essa febre que não passa,
e o meu sorriso sem graça.
Não me dê atenção...
mas obrigado por pensar em mim."
.
Cabe também.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Carta para Fernando Pessoa, nesta.

Antes de começar a ler, saiba que o que tem abaixo é uma carta destinada apenas à uma pessoa: o Fernando. É de livre-arbítrio prosseguir ou não.
.
Caro poeta,

Parei hoje para somente dar-te um pouco de atenção, em muitos desabafos teus, te notei triste, incompreendido, desgostoso. Acredito que tenha sido uma fase de descobertas, pois ao meu ver, quando criança nós buscamos as repostas do que é a vida, nos sentimos seguros ao lado de adultos (geralmente nossos pais) por acharmos que os tais sabem tudo da vida. Depois percebemos que os adultos nada sabem, e sentimos saudade daquele universo em que vivíamos na nossa pureza infantil. Sei que me entenderia, pois tu mesmo citaste que só as crianças são verdadeiramente literárias, por dizerem realmente o que sentem, como: "tenho vontade de lágrimas" ao invés de "tenho vontade de chorar", como diria qualquer adulto.

Mas não é disso que quero tratar, por me perder no universo de tantas palavras que deixaste, acabo por desviar o verdadeiro motivo de hoje escrever-te.

Bom, chegou o dia em que alguém (no caso: eu) parou para ao menos tentar compreender-te. Tu que deixaste um texto chamado "
Penso às vezes", talvez nunca fosse imaginar que quase um século depois alguém te responderia.

A princípio eu ia apenas ler, como fiz com todos os outros, mas me vi na obrigação de responder-te, se é que outra pessoa não já o fez.

O que eu quero mesmo dizer-te, caro Pessoa, é que hoje não é muito diferente do século 20. Admito que eu fiquei com uma ponta de felicidade ao me dar conta disso, pois eu, que sempre achara ter nascido no século errado, dei-me conta de que sempre foi e sempre será assim: ninguém compreenderá ao certo as escritas de um poeta (chamo de poeta todos aqueles que transformam em palavras as confusões criadas em suas mentes / corações).

Sim, cumpriste bem o dever-nato da parte do século em que viveste. Mas repito: hoje tudo é igual!
Sabe o amor que tiveras por quem tu chamavas de Bébé? (Ophelinha?) Pois! É igual a qualquer amor de hoje, pelo menos aos daqueles mais sensíveis (sim, porque o que muda é que na medida em que o tempo passa, a população tende à aumentar, logo, pessoas insensíveis hoje em dia são muito mais comuns do que na tua época - nisso tiveste mais sorte que eu).

Então, Pessoa. Não sei se te deixo triste ou feliz com esta carta, minha intenção foi das melhores. Queria que soubesse que tu nunca foste um louco ou coisa parecida, talvez tivesse princípio de depressão, não sei... um tanto dramático, eu diria. Mas nem por isso deixo de admirar-te. Ah! E perdôo por dizer que "o poeta é um fingidor", entendo que apenas queria despistar àqueles que tentaram invadir a tua intimidade.

Outra coisa... Não, não é nada! (aprendi contigo)

Da mera mortal (?),

Milena Palladino


________________________________________
.
Voltando ao blog:

Encantada com a obra "Drágeas" de Camille Kachani:


(Fotos "caradepaumente" roubada do blog do Py)

________________________________________

Ah! Viva Yemanjá! Rainha do mar.

(2 de Fevereiro)