sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Comentário a um post.

Meio termo... de fato é o mais sensato. E que bom seria se todas as pessoas pensassem assim. Mas devemos considerar aqueles fatores relevantes e mais comuns aos seres de coração (falo por mim).
Apaixonar-se, por exemplo. Esse ato nos trás conseqüências insolúveis.
Particularmente, gosto da sensação de borboletas no estômago e aquela paradinha clássica que o coração dá quando toca o telefone... ai ai. Tudo bem, eu também sei (e sei bem) o que é uma boa dor de cotovelo (corno; desamor... que seja), dói mais que dor de dente e causa traumas.
Mas eu já disse uma vez e vou repetir, pois certamente você não leu: ofereço sempre a outra face para o amor estapear.E que saber? Já quebrei muito a cara. Mas esqueci de tudo isso quando ao acordar, na semana passada, abri os olhos e vi o maior sorriso do mundo dizendo “bom dia, meu amor!” (Se fosse uma HQ, o balão certamente viria com flores na borda).
Mas tudo isso, repito também, tiro por mim, tal como Maiakóviski : TODO CORAÇÃO.




ADULTOS


Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão, *
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos d'água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável não para o verso
de veras.

*Praça de Moscou


(Vladimir Maiakovski)



O post ao qual me refiro está aqui: http://agangorra.blogspot.com/2008/11/mergulhar-com-nossos-coraes-ou-agir-com.html

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