quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Que todos os avisos não vão evitar"

Deixo tudo assim. / Não me importo em ver a idade em mim, / ouço o que convém. / Eu gosto é do gasto.
Sei do incômodo / e ela tem razão quando vem dizer / que eu preciso sim, / de todo o cuidado.
E se eu fosse o primeiro / a voltar pra mudar o que eu fiz. / Quem então agora eu seria?
Ah tanto faz! E o que não foi não é, / eu sei que ainda vou voltar... Mas, eu quem será?
Deixo tudo assim, não me acanho em ver / vaidade em mim. / Eu digo o que condiz. / Eu gosto é do estrago.
Sei do escândalo e eles têm razão. / Quando vem dizer que eu não sei medir, / nem tempo e nem medo.
E se eu for o primeiro / a prever e poder desistir do que for dar errado?
Ah, ora, se não sou eu quem mais vai decidir / o que é bom pra mim? / Dispenso a previsão.
Ah, se o que eu sou é também / o que eu escolhi ser aceito a condição.
Vou levando assim. / Que o acaso é amigo do meu coração. / Quando falo comigo, quando eu sei ouvir.

(O velho e o moço - Rodrigo Amarante)

Ontem: Trovoadas por toda tarde, o céu estava gritando, os relâmpagos eram tantos que clareavam qualquer pensamento dentro de mim. Aviso: lá vem chuva. E veio.
Previsões que antecedem o óbvio, cujo resolvi desafiar.
E daí se vai deslocar a mandíbula de imã que tanto me atrai ao amor? A cara está exposta, a boca quer sorriso e não esse gosto de "tens razão". Pois a razão, essa já caiu no abismo peculiar aos seres de coração.
Dispenso históricos duvidosos ou profecias de quem viveu. Quero assistir a minha vida. Saber o final do filme é perder a graça de esperar um "happy end".
Por isso eu sigo o fluxo, ignoro as placas de sinalizações, avanço curvas perigosas, sinais, caminhos tortuosos. Não. Não estou pagando para ver, estou vivendo para aprender. Se temo? Lógico! Quem teima teme, aprendo a lidar com isso de acordo com a resposta que a vida dá. Caindo e levantando até o ciclo completar.
Sou coração. Busco sentimentos nobres, busco paz.
Quero companhia, dou a mão e vos digo: na minha bagagem só levo bondade e pureza. Permito que use as minhas roupas. Se não souber aproveitar a ocasião, segue teu rumo, mas continue vestida com elas, pois o bem lhe cai bem.
Meu caminho é esse aqui, pego a reta da intuição e da esperança.
E eu usarei o olhar/coração-treinado para apontar as belezas que surgirão ao longo do percurso desviando-nos de todo o mal.
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